Ao longo desses quase 10 anos de trabalho editorial e de arte, a Revista Philos se orgulha de ter a a escritora Kátia Bandeira de Mello como uma de suas editoras e autoras. E temos a maior das alegrias em anunciar o início da pré-venda de seu novo livro Insones, que será publicado pela Casa Philos em agosto, na Fligê, em Mucugê (BA).

Insones é muito mais do que um livro: é uma obra de arte em estado poético. Publicado em celebração ao bicentenário de nascimento de Camillo Castelo Branco, o livro se apresenta como um palimpsesto — um tecido narrativo que se costura sobre a memória literária do autor português, mas com camadas e interferências tipicamente brasileiras. Kátia, com sua escrita de vigor lírico e inventividade formal, cria uma homenagem sensorial, quase sinestésica, que reverencia o passado enquanto tensiona os limites do presente e da fantasia.

A estrutura de Insones não se acomoda aos moldes tradicionais da narrativa; Kátia os estilhaça com elegância. Entre fragmentos, poemas, pensamentos e lampejos de prosa poética, a autora cria um espelho em que Camillo é refletido — mas um reflexo em água outras, turvo e vibrante. O que se lê aqui não é uma releitura literal, e sim uma reinvenção afetiva e estética. A cada página, Kátia nos convida a habitar o mundo das ideias insones, onde o tempo e a linguagem são desobedientes e profundamente vivos.

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As aquarelas que ilustram a obra são todas de autoria da própria Kátia Bandeira de Mello, o que confere ao livro uma integridade artística rara. As imagens não apenas acompanham o texto, mas dialogam com ele em uma dança pictórica que amplia os sentidos da leitura. Cada mancha de cor, cada traço aquarelado, carrega a emoção de uma escrita plástica, que emana da mesma sensibilidade que move as palavras. O resultado é um livro-objeto de capa dura, onde texto e imagem se fundem num hibridismo potente e lírico.

Insones é também um marco no percurso de Kátia como uma das mais relevantes autoras brasileiras contemporâneas. Sua obra, reconhecida por seu teor experimental, pelo domínio estilístico e pela audácia temática, posiciona-se como uma vanguarda da literatura de língua portuguesa. Kátia Bandeira de Mello transita com maestria entre a poesia, a crítica, a tradução e as artes visuais, compondo um repertório multifacetado que desafia classificações e instiga novas leituras.

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Ao escolher Camillo Castelo Branco como eixo de sua escrita, Kátia não apenas presta tributo a um dos grandes mestres da literatura, como também subverte e reimagina suas atmosferas narrativas. Há, em Insones, ecos do romantismo trágico de Camillo, mas filtrados pela ironia e pela subjetividade pungente que marcam a escrita da autora. O amor, o delírio, o exílio, a noite e os insetos se tornam campos de experimentação.

É também uma obra que convida à escuta atenta e ao olhar contemplativo. Lê-se Insones como quem caminha por uma galeria silenciosa em que os quadros falam e os poemas saltam das páginas. Por fim, Insones é uma celebração do poder da linguagem em seu estado mais híbrido, líquido e sensível. É uma leitura para os que têm fome de arte, sede de literatura e olhos abertos para o novo e o insólito. Kátia Bandeira de Mello entrega ao público uma obra que não apenas homenageia, mas prolonga o legado de Camillo Castelo Branco com frescor, coragem e arte. Um livro que desperta, que inquieta e que — como o próprio título anuncia — nos mantém deliciosamente acordados.


A escritora Kátia Bandeira de Mello.

Kátia Bandeira de Mello é natural do Rio de Janeiro e radicada nos Estados Unidos, formou-se em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). É advogada e mestre em Direito Internacional Privado pela Universidade de Londres e pela NYU School of Law. Foi professora de Direito na Fundação Getúlio Vargas. Integrou o corpo docente da Universidad Desconocida do Brooklyn sob a reitoria de Enrique Villa-Matas. Alum do “Disquiet International Program” em Lisboa através de estipêndio pela Fundação Luso-Americana, FLAD (2016 e 2025). Agraciada pelo programa da New York Foundation for the Arts, Artes Literárias. Publica em La Cause Littéraire, Colóquio – Fundação Calouste Gulbenkian, Curious Fiction,Words without Borders, São Paulo Review, Jornal Rascunho, Revista InComunidade e Revista Cenas (Centro Cultural Raimundo Carrero), dentre outras. Colunista e curadora da Philos – Revista de Literatura da União Latina.

Seus livros publicados pela editora Confraria do Vento são: Colisões Bestiais (Particula)res (2015); Jogos (Ben)ditos e Folias (Mal)ditas (2017); Caderno de Artista (2022) e A Patafísica do Quadrado, um romance na rota das galochas (2022). Pela Casa Philos, publicou Flaco, o Coruja, livro de poesia (2024). Antes, publicou Forrageiras de Jade (2009) e Forasteiros (2013) pelo Projeto Dulcinéia Catadora. Kátia participou e organizou diversas antologias e coletâneas, dentre elas Nosotros, Editora Oito e Meio (2017) e Perdidas: histórias para crianças que não tem vez, Imã Editorial (2018). Em Portugal, teve seu livro Baleias, Bromélias e Outras Naturezas publicado pela Editora Gato Bravo em 2022, Experimentações Poéticas, Sobre Coleridge pela editora Húmus (2023) e Molduras pela Editora Urutau (2025).

Recebeu o prêmio Escritora Sem Fronteiras no festival literário Flipoços em 2018. Em 2020, foi a escritora convidada para o IX Encontro de Língua Portuguesa organizado pela University of Massachussets/ Boston e Instituto Camões. Escritora frequentemente convidada pela West Point Academy, Columbia University e Instituto Camões. Participa em diversas feiras e festivais internacionais como a FIL-Guadalajara, LitFestBergen, Folio/Óbidos, New York Poetry Festival, Lincoln Center etc. Mora entre Lisboa, Portugal e Miami, Flórida, onde trabalha a partir do Red Thread Art Collective.

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